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E se, pela primeira vez na história de uma pesquisa que existe desde 2007, mais da metade dos brasileiros simplesmente não lesse nenhum livro, nem em partes? É exatamente esse o retrato que a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, revelou em 2024: 53% da população com cinco anos ou mais não leu sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento — um marco inédito na série histórica da pesquisa.
Se você atua ou pretende atuar com literatura, educação ou formação de leitores, entender esse cenário — e o que a ciência já sabe sobre os efeitos da leitura literária — é essencial para atuar de forma estratégica diante dessa crise.
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ToggleOs dados são contundentes. Em números absolutos, o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em apenas quatro anos. A queda atinge todas as faixas etárias, classes sociais e regiões do país. Entre os leitores que restam, o prazer também diminuiu: a parcela dos que “gostam muito” de ler caiu de 31% em 2019 para 26% em 2024.

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Além da queda no hábito, há um problema ainda mais preocupante na base: 36% dos entrevistados admitiram ter alguma barreira de habilidade de leitura, como falta de concentração ou compreensão limitada do que leem. Esse dado dialoga diretamente com os resultados do PISA 2022, em que estudantes brasileiros pontuaram 410 em leitura — abaixo de países vizinhos como Chile e Uruguai —, evidenciando que o problema não é apenas quantidade de leitura, mas qualidade de compreensão leitora.
Vale destacar que o cenário não é uniformemente negativo. A pesquisa Panorama do Consumo de Livros, conduzida pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen, apontou que o Brasil ganhou 3 milhões de novos leitores entre 2024 e 2025. Segundo o Ministério da Cultura, o país tem hoje mais de 2 milhões de brasileiros em clubes de leitura e mais de 410 eventos literários cadastrados, como bienais e feiras do livro.
A leitura mais honesta desses dados aparentemente contraditórios: o hábito de leitura no Brasil está se tornando mais polarizado — cresce entre quem já tem algum vínculo com livros, clubes de leitura e eventos literários, enquanto uma parcela maior da população se afasta completamente da leitura. Isso reforça a importância de ações estruturadas de mediação e formação de leitores, e não apenas da expectativa de que o hábito “aconteça sozinho”.
Diante desses números, cabe perguntar: por que investir especificamente em leitura literária — não apenas em alfabetização funcional — faz diferença real na formação de uma pessoa?
Uma meta-análise pré-registrada publicada no PubMed, que reuniu 371 tamanhos de efeito de 70 experimentos, encontrou benefício cognitivo pequeno mas estatisticamente significativo da leitura de ficção (g = 0,14) — com efeitos mais consistentes justamente para empatia e capacidade de compreender estados mentais de outras pessoas (mentalização). Uma segunda análise da mesma pesquisa, reunindo 559 correlações de 114 estudos sobre exposição a ficção impressa ao longo da vida, encontrou efeito ainda maior (r = 0,16), com destaque para habilidades verbais, capacidades cognitivas gerais e empatia.
Esse achado é reforçado por outro estudo, publicado no periódico PLOS ONE (via PMC), que comparou os efeitos de ler ficção literária, não-ficção e ficção científica sobre habilidades empáticas em 214 participantes. O resultado confirmou que a leitura de textos literários está associada a ganhos reais em capacidade de mentalização — a habilidade de compreender e antecipar os pensamentos e sentimentos de outras pessoas, essencial para convivência social e pensamento crítico.
Ou seja: a leitura literária não é apenas um hábito cultural desejável — ela tem efeito mensurável sobre habilidades cognitivas e sociais que sustentam a cidadania e o pensamento crítico, exatamente os pontos que os senadores e pesquisadores citam como em risco diante do declínio da leitura no Brasil.
O cenário atual — queda geral no hábito, mas crescimento entre quem já tem vínculo com a leitura — exige profissionais capazes de projetar estratégias de mediação literária, clubes de leitura, curadoria de acervo e formação de professores que sabem transformar a leitura de fruição em prática pedagógica consistente. Não basta “incentivar a leitura” de forma genérica; é preciso método, repertório crítico e compreensão profunda da literatura como objeto de estudo e de formação humana.
Se você quer se aprofundar em literatura, crítica literária e formação de leitores para atuar de forma qualificada nesse contexto, a Pós-graduação em Cultura e Literatura da UNIFACVEST forma profissionais capazes de atuar com profundidade teórica e prática na promoção da leitura literária — seja em sala de aula, bibliotecas, projetos culturais ou produção editorial.
Quantos brasileiros não leem livros atualmente?
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024), 53% da população com cinco anos ou mais não leu nenhum livro, nem em partes, nos três meses anteriores ao levantamento.
O Brasil está perdendo ou ganhando leitores?
Os dois cenários coexistem: o país perdeu 6,7 milhões de leitores entre 2019 e 2024, mas ganhou 3 milhões de novos leitores entre 2024 e 2025, segundo outra pesquisa — sinal de que o hábito está mais concentrado entre quem já tem vínculo com a leitura.
Ler ficção realmente melhora a empatia?
Sim. Meta-análises mostram efeito pequeno mas consistente da leitura de ficção sobre empatia e capacidade de compreender estados mentais alheios, especialmente com leitura contínua ao longo da vida.
Vale a pena se especializar em literatura e formação de leitores agora?
Sim. Com o país enfrentando queda geral no hábito de leitura, cresce a demanda por profissionais capacitados a projetar estratégias eficazes de mediação literária e formação crítica de leitores.